Quarta-feira, Dezembro 22, 2004
Acabei de atualizar este texto que havia sido publicado no extinto zine "Pandorga" que editei com a Consuelo entre 94 e 96. O texto saiu no nº 3 em Novembro de 94. Me impressiona que um talento como Daniel Torres tenha tão pouco material publicado no Brasil.
A harmonia entre passado e futuro na HQ de Daniel Torres.
Nascido em 1958, na região de Valência, Espanha, Daniel Torres define a HQ como "ciência exata", onde tudo tem relação entre si, como em uma equação matemática. Através de seus quadrinhos de ficção-científica, Torres cria um coquetel de informações tanto gráficas quanto históricas, sem provocar desordem ao leitor. Com absoluta originalidade, seus trabalhos partem de uma espécie de reciclagem de lugares comuns ou histórias de personagens consagrados como Tintim, do artista belga Hergé, ou dos americanos Lee Falk, criador de Mandrake e Alex Raymond criador de Flash Gordon. Mas suas influências não se reduzem só a artistas ligados aos comics. Em seu trabalho há traços da sua formação em arquitetura, do desenho industrial e publicitário, informações cinematográficas e literárias em convívio perfeito entre objetos e decorações da década de 30 e 40 com o design dos grandes automóveis dos anos 50.
Os primeiros trabalhos de Daniel Torres foram publicados na revista espanhola "El Víbora" em 1980. Mas foi através dos personagens "Opium" e "Roco Vargas" que seus trabalhos se tornaram conhecidos fora da Espanha.
Hoje, Daniel Torres é um dos maiores artistas gráficos da Espanha, e o seu currículo mostra a sua versatilidade artística. Para citar alguns exemplos, além das HQs, Torres também trabalhou na campanha da loja Fnac de Madrid em 1993, em 99 cuidou da nova imagem da editora Norma (que vem publicando todos os seus trabalhos), inclusive Torres desenhou um painel de 16x16 mêtros para a faixada do edíficio sede da editora. Atualmente ele se dedica a um projeto de animação em 3D chamado "Fórmula Nitro", um desenho futurista sobre carros de corrida. Mas nestes quase trinta anos de trabalho, Torres realizou muitos outros projetos, que vou listar em ordem cronológica no final deste texto.
No Brasil, infelizmente, quase nada da sua obra foi lançado. A princípio, foram publicados alguns de seus desenhos feitos em preto e branco em números esporádicos da revista "Animal", da VHD Diffusion, que foi responsável também pela publicação do álbum "Triton", o primeiro a trazer as aventuras siderais de Roco Vargas, lançado no Brasil em 1989.
"Triton" descreve o planeta terra em 1982, assolado por uma grande estiagem. O personagem Armando Mistral, um escritor de ficção científica, se mostra indiferente ao problema, preferindo viver confortavelmente em seu luxuoso clube particular "Mongo". A chegada de uma carta em nome de Roco Vargas (verdadeira identidade de Mistral) quebra a tranquilidade da história. Seu remetente o Dr. Pierre Covalsky conhece o passado glorioso de Roco e agora necessita das habilidades espaciais do herói para concluir seu plano que salvaria a Terra - trazer do planeta Triton enormes icebergs, que no contato com a atmosfera terrestre se transformariam em chuva.
Já o álbum "Opium" foi publicado no Brasil, pela Abril Jovem no mesmo ano que "Triton", em três capítulos. Nele, somente as histórias são de Daniel Torres, os desenhos ficaram por conta de Incha e Ramón Marques e o roteiro é de Peres Navarro. Durante todo transcorrer da história, a grande metrópole retratada em "Opium", que em meio ao estilo retrô dos carros e figurinos e dos traços futuristas dos edíficios, torna-se palco dos maquiavélicos ataques de Sir Opium e seus auxiliares Gulp e Acapulco Gim. Fugindo a regra, os vilões dessa história sempre saem vitoriosos.
Daniel Torres - cronologia dos principais trabalhos
1983 - É publicado Opium.
1985 - Faz ilustrações para revistas americanas.
1993 - Trabalha na campanha publicitária da Fnac de Madrid.
1994 - Publica "Tom", a história do dinossauro que viaja pelo mundo.
1997 - Faz trabalhos para a DC Comics e Kitchen Sink Press.
1997 - É organizada uma compilação do personagem Roco Vargas.
1999 - Desenha a nova imagem da editora Norma.
2000 - "Tom" é transformado em desenho animado e faz enorme sucesso.
2000 - Lança novo álbum de Roco Vargas e a revista infantil "Dibus"
2001 - Se dedica ao projeto de desenho em 3D "Formula Nitro", história sobre carros de corrida ambientada no futuro.
sandrogarcia
12/22/2004 11:11:09 PM
Segunda-feira, Dezembro 20, 2004
Papai Noel, eu quero "Wouldn't it Be Nice" de presente.
o "velho" Brian em ação.
Me lembro como se fosse ontem, quando comprei a anos atrás (na Feira do Livro) o recém lançado :"Paz, Amor e Sg. Pepper", lí e curti muito. Escrito por George Martin e William Pearson o livro comenta sobre as sessões de gravação do album "Sgt. Peppers" dos Beatles. Foi o tipo de livro que despertou em mim (como músico), mais vontade de realizar gravações e testar as possibilidades de um estúdio.
Outro livro de mesmo peso acaba de ser lançado "Wouldn't it Be Nice" só que neste são revelados os detalhes das gravações do album considerado a obra prima "Pop" o reverenciado "Pet Sounds" dos Beach Boys, fruto da ousada criatividade de Brian Wilson, e que durante alguns anos acabou pagando com a sua sanidade mental o alto preço desta façanha musical, passando por períodos de isolamento e tratamentos psiquiatricos.
O livro é escrito em parceria por Charles L. Granata (produtor e historiador musical, autor de um livro semelhante sobre gravações com Frank Sinatra) e Tony Ascher (arranjador musical que trabalhou com Brian Wilson no "Pet Sounds", inclusive, Brian deixa claro sua importância agradecendo a ele no DVD "Pet Sounds Live in London").
Diferente do livro de George Martin, que ganhou sua versão brasileira, traduzido por Marcelo Froés, "Wouldn't it Be Nice" ainda só possui edição em inglês.
mais informações no site da editora: http://www.ipgbook.com
Ah! "Wouldn't it Be Nice" pode ser encontrado na livraria Cultura (e custa em média R$ 65,00)
Aí a minha conta bancária!!!!
Acho que vou pedir o livro pro Papai Noel!!!!!
valeus!!!
sandrogarcia
12/20/2004 08:49:32 PM
Sexta-feira, Dezembro 17, 2004
Gripe, revistas e divagações sobre o movimento punk
Capa da revista "HV" (com Paulo Ricardo posando de galã, Argh!!!) e capa da nova edição da "Mosh"
Na verdade eu tinha a idéia de escrever sobre os Stranglers (banda da qual sou fã), no fim acabei divagando um pouco sobre revistas e o movimento punk (mas não deixei da fazer o texto e postei logo abaixo). Fiquei de molho, vítima de uma forte gripe, com isso andei revendo umas revistas antigas e encontrei a HV (na capa diz "H" de humor e "V" de verdade !?), a HV foi uma revista de assuntos gerais (moda, música e comportamento) que circulou nos anos 80. Esta que acabei relendo, é de novembro de 85.
Nesta edição têm uma matéria bem legal feita pela Bia Abramo sobre o "novo" rock Paulista, ela dá uma geral nas "novas" bandas e menciona a importância dos caminhos abertos pelo movimento punk que São Paulo viu surgir no finalzinho dos anos 70 e início dos anos 80.
E isso realmente faz sentido apesar da sonoridade dos grupos como: Smack, Fellini, Voluntários da Pátria, Musak, Ness, Akira S, Chance, Ira, Violeta de Outono, Cabine C, entre outros, apontarem para tantos lados diferentes, o punk foi vital para moldar um novo processo de formar uma banda e reciclar influências. E aqui, mesmo que atrasadamente nota-se um reflexo do que rolou na Inglaterra ou nos Estados Unidos.
Lá fora o punk também acabou tendo essa função, e hoje mais do que identificar se esta ou aquela banda representa realmente a sonoridade punk, os grupos que surgiram sob essa explosão de revolta e ruptura contra as grandes produções do show business, mostraram as possibilidades de recriar e dar novos caminhos para o rock, mesmo que depois tenham se tornado os novos representantes do mundo dos negócios na música.
Fica claro em grupos Ingleses (só para citar alguns bem conhecidos) como: The Clash (que misturou dub e reggae), The Stranglers (que explorou o soft rock, dosando virtuosos teclados com um som urgente), The Jam (que resgatou notóriamente o mod do The Who) ou em Nova York o Television (com suas músicas longas, e ousadas tramas de guitarras de Verlaine e Lloyd),
que embora cada qual explorando um terrreno diferente do rock, todos buscaram novas possibilidades para a música, e o fizeram sob a incendiaria bandeira do movimento punk.
Pete Townshend do The Who, diz que esta revolução foi vital para o rock e ele tem razão.
Vale apena citar também o novo número da revista Mosh (nº 4), onde o editor Regis Tadeu lista os 50 melhores discos de punk (como em qualquer lista sempre falta alguém), mas Regis faz uma lista e comentários bem legais, há informações curiosas, por exemplo, sobre o disco do Cólera (o independente "Pela Paz em Todo Mundo" de 86) que vendeu 90 mil cópias!!. Algumas bandas como o The Jam, o Clash e os Ramones tiveram cada qual três discos na lista.
É interessante notar a variedade de bandas nesta lista, cada qual com sua característica, comprovando as várias possibilidades sonoras que o movimento punk proporcionou.
valeu!!!!
sandrogarcia
12/17/2004 12:10:44 AM
Quinta-feira, Dezembro 16, 2004
A variante sônica do exército de Brancaleone chamada The Stranglers.
Sou fã declarado do Stranglers. Em casa, as coletâneas em vídeo da banda chamadas '"The Old Testament" e "ScreenTime" foram assistidas por mim tantas vezes quanto o semáforo da rua Clélia com a rua Espártaco (esquina próximo a minha casa) indicou verde, amarelo e vermelho.
Os Stranglers (como lí no guia de cd da extinta Bizz) uniu músicos de caraterísticas díspares,
a revista descreveu isso da seguinte maneira: "... Em 77, essa variante sônica do exército de Brancaleone tomou de assalto a cena musical com o vigoroso The Strangles IV: Rattus Norvegicus...".
O grupo surgiu na cidade de Guilford, Inglaterra, fruto do reencontro de três amigos de escola que juntos já haviam tido suas experiências musicais no passado, a banda surgiu com o nome de Guilford Stranglers por volta de 1974 e tinha Hugh Cornwell na guitarra e voz, Jean Jacques Burnuel no baixo e Jet Black na bateria, em seguida se tornaram somente The Stranglers, agregando o tecladista Dave Greenfield (que entrou na banda através de um anúncio na Melody Maker substituindo o guitarrista Hans Warmling).
Embora o grupo pareça ter sido criado de um simples encontro de amigos a fim de fazer um som, é no passado de cada integrante que se encontra a resposta para a estranheza sonora produzida pela banda, e ao mesmo tempo isto mostra que a iminência do movimento punk conseguiu agregar músicos de universos tão distintos.
Hugh Cornwell teve suas primeiras experiências musicais na escola, tocando em uma banda chamada Emil and The Detectives (com Richard Thompson do Fairport Convention
grupo conhecido no cenário revival do folk inglês).
Depois se movendo para a Suécia, Cornwell conclui a universidade em Bioquimica além de trabalhar na área. Antes de voltar para Inglaterra formou, na Suécia, um grupo chamado Johnny Sox.
Jean Jacques Burnuel, filho de pais franceses, conheceu Cornwell em Guilford durante os anos 60, onde tocaram em bandas sem muita projeção. Burnuel além de lutar Karatê parece ter tido envolvimento com os Hell's Angels (isso inclusive é mencionado no guia de cd da Bizz e no encarte do disco The Stranglers - The Early Years).
Jet Black era um vendedor de sorvete, que ocasionalmente ocupava seu tempo como baterista de jazz e Dave Greenfield, tecladista virtuoso mas com um passado desconhecido, parece ter saído de alguma banda de rock progressivo (talvez cansado da megalomania que as vezes o gênero pode proporcionar).
Em 1977, o primeiro disco dos Estranguladores era lançado, "The Strangles IV: Rattus Norvegicus", inevitavelmente o grupo se viu dentro da emergente cena punk, o álbum trazia petardos como "Peaches" e "Get a Grip". A partir de então, outros álbuns geniais seriam lançados, como "No More Heroes" também em 77 (que trazia as faixas "Something Better Changes" e "No More Heroes") e "Black and White" de 78, todos eles trazendo hits instantâneos.
Na discografia da banda, pode-se observar as fases e sonoridades que o grupo buscou com o seu "line up" original. Os três primeiros discos indicam o lado mais punk, misturando jazz e teclados a lá The Doors e Mike Ratledge do Soft Machine. "The Raven"/79, "The Gospel According (to the Meninblack)"/81, e "La Folie"/81, flertam com o experimentalismo e a música eletrônica do Kraftwerk.
A partir do disco Feline/82 (primeiro disco, lançado agora pela gravadora Epic, pois a banda até então era contratada da EMI), contando com outros álbuns como Aural Sculpture/84, Dreamtime /86 e "10" de 90 os Stranglers procuraram a fórmula do pop perfeito.
O poder de fogo dos singles da banda também fizeram história no charts UK, foram trinta hits, sendo que quinze singles entraram nas paradas e sete deles ocuparam os 10 primeiros lugares. "Golden Brown" de 81 foi o ponto alto na carreira do grupo, vendendo aproximadamente um milhão de cópias no Reino Unido.
No total a banda possui uma vasta discografia, já que eles ainda hoje se mantém em atividade.
São 27 discos, 15 álbuns de estúdio (cinco deles lançados depois da saída de Cornwell), entre outros "ao vivo" e "coletâneas".
Depois da saída de Hugh Cornwell em 1990, que chocou os fãs da banda, entraram para os Stranglers, John Ellis na guitarra (membro fundador dos Vibrators, que saiu em 2000, sendo substituído por Baz Warne) e também o vocalista Paul Roberts, com esta formação gravaram recentemente o elogiado "Norfolk Coast".
Nem só de bons momentos viveram os "Estranguladores", o grupo teve no início da carreira problemas com as letras, acusadas de promover um discurso machista, a faixa "Peaches" por exemplo foi banida pela BBC, outro fato é que os "Stranglers" não eram jovens quando comparados aos seus contemporâneos da emergente cena punk, isso colocou a banda em uma situação controversa.
Os teclados de Greenfield também não eram tão bem vindos assim dentro da sonoridade rústica que o punk promovia. Problemas com drogas e a prisão de Hugh Cornwell em 79, assim como a do grupo inteiro, no ano seguinte, acusados de incitar a violência entre o público por motivo de um show cancelado na universidade de Nice na França, formaram uma coleção de fatos que serviu para desenhar o lado polêmico do grupo.
Para finalizar, vou deixar aqui uma pequena lista com fatos curiosos ligados a banda:
- Por Volta de 76, antes do lançamento do primeiro album, a banda chegou a viajar para fazer shows usando a van que Jet Black utilizava para vender sorvetes.
- No inicio de sua carreira a banda abriu alguns shows da Patti Smith no London's Roundhouse.
- Os Stranglers gravaram por volta de 76, dois singles com uma cantora chamada Celia, usando o nome de Celia and The Mutations.
- Hugh Cornwell ficou preso cinco semanas em 79, por porte ilegal de drogas, na época ele estava lançado seu primeiro disco solo "Nosferatu" (hoje, sua discografia solo é bem vasta, são quatorze discos no total).
- Em 80 foi a vez da banda inteira ir para a prisão, o fato ocorreu depois do cancelamento de um show por problemas técnicos na universidade de Nice na França, o grupo foi responsabilizado por incitar violência no público que aguardava a apresentação. No vídeo da música "Nice in Nice" de 86, todos da banda aparecem vestidos de presídiarios, em uma clara citação ao episódio da universidade, além do trocadilho no nome da faixa.
- O mega single "Golden Brown" foi usado na trilha do filme "Snacth".
- Em 2001 a cantora Tori Amos lançou o disco que batizou de "Strange Little Girls" inspirado na música "Strange Little Girl" (esta música alías foi composta no início do grupo por volta de 74, mas só foi lançada oficialmente em 82.)
- Tanto no disco "Feline" de 82 dos Stranglers, quanto também no nome do diretor de cinema Federico Fellini, inspiraram o nome do grupo paulista Fellini.
acessem e obtenham mais informações no site oficial da banda:
http://www.the-stranglers.com/
e também na pagina do ex-guitarrista Hugh Cornwell:
http://www.hughcornwell.com/
um abraço pra todos.!!!!
sandrogarcia
12/16/2004 07:58:10 PM
Terça-feira, Dezembro 14, 2004
Fotos do Bazar no Estúdio
O "Bazar no Estúdio" foi muito bacana, organizado pelo simpático casal Claudio e Lela, rola no Ap dos dois e serve para promover um encontro entre amigos além é claro de reunir artistas gráficos, desenhistas, escultores, entre outros . Rolou também as apresentações musicais com pocket shows do Voluta Glifos (projeto solo) do Badari e também o jazz torto do Dellatrons duo formado por mim e o Badari.
Valeu gente!!!
(As fotos que postei aqui foram tiradas pelo Claudio)
sandrogarcia
12/14/2004 08:07:58 PM
Terça-feira, Dezembro 07, 2004
O "Bazar no Estúdio" vai rolar nos próximos dias
11 e 12 de dezembro (a partir das 11:00 da manhã).
No evento vai rolar exposições(e loja) de arte em geral, além dos pocket shows
(que rolaram por volta das 18:00 hs) com o Voluta Glifos e Dellatrons.
visitem o site e pintem por lá.
um grande abraço
sandrogarcia
12/7/2004 12:42:57 AM
Sexta-feira, Dezembro 03, 2004
Faces e Fases, os Mods invadem a TV Cultura
Quando foi colocado no ar o site do Momento 68, achei legal incluir uma parte para textos
em um e-zine, lá além de artigos variados, coloquei os releases do Faces e Fases e do Charts (duas bandas que toquei).
Quando o "Momento" acabou, o site foi tirado do ar, passei então estes releases para o site do Continental Combo. (banda que toco atualmente).
Resolvi colocar aqui no blog este release do "Faces" (hoje, estou dedicando este espaço para banda), a diferença e que postei aqui algumas fotos da apresentação da banda no extinto programa musical Boca Livre na TV Cultura em 1986 ou talvez 87 ?(não me lembro ao certo). Era um programa onde se apresentavam varias bandas alternativas.
Fiz questão de reproduzir o diálogo entre o Kid Vinil (apresentador no programa na época) e o Flávio (vocal e guitarra do "Faces")
Foi algo muito engraçado, tinhamos uma postura "Mod" assumida, mas não sei, se por nervosismo ou por auto afirmação, contrariamos todas as perguntas do Kid.
Ah! esses moleques do Faces!!!
Ah! esse Kid Vinil
Kid: Vamos a primeira banda, a primeira banda de hoje. Todos vestidos a lá "Mod", eles devem gostar do The Jam? gostam ou não? quem fala, quem é o porta-voz (apontei para o Flávio).
Kid: Bastante, pode ser? você gosta do The Jam, nunca ouviu falar no Jam?
Flávio: Os Geléias? Os Geléias eu já ouvi.
Kid: Não conhecem o The Jam?, um trio inglês chamado The Jam.
Flávio: Eu conheço o High Numbers.
Kid: Conhece o The Who pelo menos?
Flávio: Um pouquinho.
Kid: Já ouviu falar em Pete Townshend? (o pessoal no programa começa a rir e gritar).
Kid: Brincadeira, calma, calma, vamos por partes, o pessoal fica nervoso. Porque gente?
Kid: O grupo chama-se Faces e Fases, certo? e o que que é? qual é a de vocês? se não é "Mod" é o que?
Flávio: É uma banda de rock.
Kid: E porque esta vestimenta? esta botãozinho aqui que significa The Who, isso aqui?(Kid aponta para o bottom do Flávio)
Flávio: A não, isso é das forças aereas inglesas
Kid: Não é The Who, eu conhecia como The Who.
Kid: Bom então toca, eu não vou encher o saco de vocês, toca qualquer coisa, "Veja o Mundo Agora" com o Faces e Fases. eles são tão bem humorados, que horror!!!
(depois que terminamos a musica o Kid ainda comentou o seguinte)
Faces e Fases, se não tem nada a ver com o Jam e com o Who qualquer semelhança com o Ira!
é mera coincidência.
sandrogarcia
12/3/2004 10:25:06 AM
As Faces e Fases do Mod
Faces na estação da luz nos 80's
O Faces & Fases teve seu início na zona norte paulistana, na segunda metade da década de 80, quando os amigos Claudio Fontes (bateria) e Flávio Telles (voz e guitarra) me convidaram para completar o grupo tocando contra-baixo.
Logo em seguida a banda passou a um quinteto com a entrada dos irmãos André Maschietto (guitarra) e Alex Maschietto (vocal), com esta formação chegamos a registrar ensaios em estúdio com as primeiras composições próprias. Pouco depois o Faces voltou ao formato de trio e permaneceu assim até o seu final.
Estávamos entusiasmados pelo efervescente clima roqueiro na metrópole. Nos 80, o surgimento de bandas nos animou e motivou a procurar lugares para tocar. Solidificamos o trabalho próprio e autenticamos uma radical influência da sonoridade "Mod"de grupos como The Jam e também dos ícones dos 60's como The Who, Small Faces e Kinks. Influências que já havíamos plantado desde o início do grupo somado ótimas composições do Flávio, o trio foi criando uma identidade.
Nesta época tocamos muito nos bares alternativos como Madame Satã, Espaço Retrô; (quando ainda era na Frederico Abranches), Espaço Alquimia e Dama Xoc entre outros. Tocamos também em programas de TV como o Boca Livre na TV Cultura, apresentado pelo Kid Vinil.
Por conta das nossas influências e do ideal "Mod" que adotamos com tanta radicalidade, houve uma indentifição que aproximou o Edgard Scandurra e a banda, foi um período bem bacana onde trocamos algumas experiências musicais.
Quando o Edgard podia, sempre pintava em algum show do Faces. Foi nesta época que o próprio Edgard convidou o grupo para um show memorável. Com muito entusiamo ensaiamos um repertório da primeira fase do The Who e tocamos em um show tributo á banda realizado no Dama Xoc. Essa data ainda serviu de festa de lançamento do vídeo Who's Better Who's Best. Nossa vontade era simplesmente de tocar, com isso acabamos deixando passar a oportunidade de registrar em estúdio, um material mais definitivo da banda. Os únicos registros que se têm, são gravações de ensaios e shows guardadas nos nossos arquivos pessoais.
Em 89, Claudio foi convidado para tocar bateria na tournê; do disco solo "Amigos Invisíveis", do Scandurra, optando por sair do Faces & Fases. Ele ainda tocou no Solano Star e também no Violeta de Outono.
O Flávio e eu passamos um tempo sem tocar e neste período começamos a pesquisar o Rhythm and Blues e Soul, que era a base de influência das bandas dos anos 60 que já vínhamos ouvindo. Isto também serviu de base para o que viria a ser o The Charts.
sandrogarcia
12/3/2004 02:49:29 AM
Quarta-feira, Dezembro 01, 2004
Adoro quadrinhos!!
clique na capa para obter mais informações
Sempre curti ler quadrinhos, o último foi "Av. Dropsie a Vizinhança" do Will Eisner, adorei.
Acabo de adquirir (com o Marcelo Badari), a coletânea "Tiras de Letra"onde 27 autores
de todo Brasil (entre eles o próprio Badari) mostram suas tirinhas, o livro é um verdadeiro desfile de talentos. Na verdade este já é o 4º volume dentro desta série que compila vários artistas. A iniciativa e produção é do Mario Dimov Mastrotti, que também é desenhista, os títulos são lançados através da sua editora a Virgo.
Mastrotti ainda apresenta toda segunda (das 11:30 ao 12:00) o programa "Amigos do Traço" na "It's Tv" (Tv transmitida pela internet)
capa do Pandorga nº 5 (fevereiro de 1995)
Aliás, falando em quadrinhos, cheguei a editar (entre 94 e 96) junto com a Consuelo o zine "Pandorga". (me lembro que fizemos o lançamento do nº 1 no extinto "Aze 70" e teve shows do Charts e do Gasolines). Nele comentava¿mos de Hq's, cinema, música e etc. Em breve vou atualizar alguns destes artigos e postar aqui no blog, o primeiro vai ser sobre o desenhista espanhol Daniel Torres (Opium e Triton, e muito mais)
Valeu!!
sandrogarcia
12/1/2004 08:00:17 PM
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